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O mundo ao alcance de seus olhos…

A Brasil Foods herdou da Perdigão uma queda-de-braço internacional com a Danone. O motivo do duelo é a compra da argentina La Serenissima, uma das maiores indústrias de laticínios da América do Sul.

Executivos da BRF estiveram recentemente reunidos com representantes do Grupo Mastellone Hermanos, controlador da La Serenissima. Dando prosseguimento a uma negociação iniciada ainda pela Perdigão, apresentaram uma oferta para a compra da empresa argentina. O modelo não prevê o desembolso de dinheiro. A BRF se comprometeria a assumir toda a dívida, em torno de US$ 250 milhões, e os argentinos permaneceriam com uma participação minoritária em uma companhia financeiramente saudável.

O problema é que a Danone tem feito de tudo para brecar a operação. Sócio da La Sereníssima em uma joint venture para a produção e venda de laticínios na Argentina, o grupo francês evocou um antigo acordo que lhe garante o direito de preferência para a aquisição da empresa.

No entanto, a Danone sentou em cima da opção de compra e não apresentou qualquer oferta formal. Na visão da BRF, os franceses não estão nem um pouco interessados em assumir o controle da LaSerenissima. O que eles querem mesmo é impedir a entrada da empresa brasileira no mercado de laticínios argentino.

A BRF teria grandes benefícios com o movimento, o principal deles a possibilidade de driblar as barreiras alfandegárias impostas pelo governo argentino ao leite e derivados brasileiros. Presente nos dois lados da fronteira, a Danone sabe muito bem a vantagem que essa dupla operação representa.

Fonte: Cidade Biz

Brasil Foods: a graça do negócio

  • segunda-feira jun 1,2009 08:19 PM
  • By Russo
  • In Empresas

Oligopólio e oligopsônio: BRF Brasil Foods

A fusão Sadia (32%)-Perdigão (68%), na avaliação do consultor empresarial Ruy Coutinho, terá que ser vista e fiscalizada em sua dualidade interativa, com grande potencial de destruição da concorrência.

O poder de comprar, impondo preço baixo – prática oligopsônica – e o poder de vender, impondo preço alto – prática oligopólica – , vão tomando conta geral da economia brasileira na Nova República na Era Lula, abalada pelos desdobramentos da crise financeira internacional, que desarticula a produção e o consumo em meio ao colapso do crédito e à sobrevalorização do real frente ao dólar desvalorizado atraído pelos juros altos, afetando as exportações, desestruturando empresas e sinalizando desemprego incontrolável.

Depois das ampliações crescentes das práticas oligopólicas e oligopsônicas dos bancos, que, no Brasil, cobram os juros mais altos do mundo; da Petrobras, que, mesmo com o preço do petróleo em queda, não reduz o preço da gasolina ao consumidor; da Ambev, que transnacionalizou o capital nacional no oligopólio cervejeiro internacional, sem baixar o preço do produto; da Nestlê, que tenta comprar a Parmalat, para ampliar seu domínio sobre os fornecedores de leite; das tradings agrícolas, que fidelizam, sob juro alto, os produtores, financiando-lhes safras sem correr riscos; das distribuidoras de energia elétrica, que reajustam acima da inflação para pagar o ICMS alto; das fabricantes de fertilizantes, que subordinam os produtores aos seus preços de compra e de venda; da indústria de cimento, que faz o que quer do consumidor há anos etc, agora, chegou a vez do setor de alimentos, também, caminhar para a oligopolização e oligopsonização.

A fusão Sadia (32%)-Perdigão (68%), que vira Brasil Foods (BRF) – , na avaliação do consultor empresarial, ex-diretor do BNDES e ex-presidente do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), Ruy Coutinho, terá que ser vista e fiscalizada em sua dualidade dinâmica interativa, dialética, com grande potencial de destruição da concorrência. Por um lado, diz, ela é positiva, por outro, negativa. Haverá que medir os dois polos opostos, que, contraditoriamente, se repelem, para alcançar síntese que seja do interesse dos agentes econômicos envolvidos, governo, empresários, produtores e consumidores. Caso contrário, o peso do poder econômico-financeiro expresso na fusão em si tenderia, sem fiscalização, a ganhar autonomia, impondo lógica dada pela força que a própria fusão proporciona, diante dos concorrentes incapazes de competir.

COMPETIÇãO X PODER

O lado bom representa o aumento do poder competitivo do grupo empresarial no cenário global, com aumento extraordinário da disputa pelo mercado em meio à bancarrota financeira atolada no empoçamento do crédito bancário nas principais praças mundiais, Europa e Estados Unidos. Se não houver grupos fortes disputando o mercado externo, como forma de compensação pela depressão dos mercados internos, somados aos juros e impostos elevados, dificilmente, será possível manter constante a taxa de lucro das empresas. Sob esse ponto de vista a Brasil Foods, segundo Coutinho, é show de bola. Fortalece o nome do país, a sua marca  no cenário internacional etc.

O lado ruim, no entanto, poderá emergir em decorrência do excesso de poder adquirido pela Brasil Foods nas relações de trocas com seus parceiros. Ela disporá de alto poder de compra e poder de venda de mercado, atuando na condição de oligopólio em que se transformou, credenciando-se, conjugadamente, a seguir adiante na prática do oligopsônio.

CADE precisa ficar de olho

Por essa razão, o Cade, segundo Coutinho, não poderá dar moleza, especialmente, porque a negociação das duas maiores empresas brasileiras de alimentos processados não tem precedente, setorialmente. Trata-se de cadeia produtiva em que a cabeça se candidata ao oligopólio e ao oligopsônio e nas fases intermediárias se situam micro e pequenos proprietários rurais associativamente organizados em seus interesses convergentes, mas que terão que disputar com uma força muito mais poderosa do que a que vigorava antes, quando atuavam as duas empresas competentindo entre si. Sem essa competição, que foi eliminada pela fusão, o poder de barganha da cabeça forte frente à intermediação produtiva pulverizada, que, igualmente, compete entre si, ganharia maior ressonância.

O potencial para o exercício efetivo da oligopolização e da oligopsonização econômica no setor alimentício fica claro pelos números. A   BRF se transforma na maior exportadora do país e a maior exportadora de frango do mundo. Pontificará   como décima maior no setor de alimentos nas Américas, gerando 116 mil empregos. Abaterá 1,7 bilhão de aves e 8 milhões de suinos, correspondendo, respectivamente, 33% e 31% do mercado nacional.

A fusão empresarial, diz Coutinho, representará predomínio de 57% da industrialização de carnes; 71,3% das carnes congeladas, 65% da fabricação das margarinas; 88% das de massas prontas; 52,6% das exportações de frango in natura e 40% das exportações de carne suína. No processo de transformar a dualidade, Sadia-Perdigão, em unidade – Brasil Foods – os ajustes serão inevitáveis e os seus resultados serão ampliação do poder de mercado, tanto como compradora como vendedora.
Configura-se, segundo Coutinho, a chamada liderança de preços  de vendas – “price leadership” – dos integrantes do oligopólio e do oligopsônio, cujos efeitos são puxar os preços dos demais membros da  cadeia produtiva. A teoria econômica conclui que as práticas oligopsônicas geram redução de custos que não são repassadas aos consumidores. Vale dizer, embolsamento geral de lucro, enquanto o consumidor chupa o dedo.

Negócio da China para chineses

A unificação das estruturas das duas empresas em tecnologia da informação, recursos humanos, logística etc, voltadas para correção de rumos e fuga de falhas de mercado, que levaram a Sadia à bancarrota financeira, no ambiente da crise global, acontece no momento em que esquentam as negociações Brasil-China para abertura do mercado chinês às proteínas animais brasileiras.

Em outubro, durante a segunda reunião da Comissão Sino-Brasileira, estarão em jogo 54 milhões de toneladas de carne suína. Se for acertado o negócio, haverá pressão altista sobre o produto. A Perdigão, que focava o mercado interno, e a Sadia, o externo, com um portfólio de 700 produtos vendidos em 100 países, terão tudo a ganhar. Além disso, a China, de acordo com as negociações em curso, concederá licenças de importação de frangos, já havendo 24 frigoríficos em frenéticas negociações. Trata-se de tentativa brasileira, na medida em que os chineses, com o poder de fogo financeiro disponível, avança, poderosamente, sobre o Mercosul, deslocando os industriais brasileiros, que, apavorados, pedem intervenção imediata na política cambial, para detonar o câmbio flutuante, que perdeu utilidade.

Os chineses também atuam na base do oligopólio e do oligopsônio. Detendo mais de 3 trilhões de dólares em títulos da dívida americana e em moeda de Tio Sam, oriundos de acumulados superávits comericiais com os EUA, graças ao câmbio desvalorizado, os chineses querem, agora, desovar seu excesso monetário. Temem bancarrotas e desvalorizações cambiais aceleradas. Enquanto não emplacam sua proposta de nova moeda internacional para substituir o dólar, tentam sair da moeda americana investindo na América do Sul. Fazem como fizeram os japoneses, nos anos de 1970 e 1980, com os nipodólares, comprando ativos pelo mundo. Os chineses, agora, na mesma situação japonesa de outrora, compram parte das reservas do petróleo do pré-sal e se associam ao maior empresário brasileiro, Eike Batista, na área de  minérios. Capitalizam em ativos fortes os dólares que dispõem, candidatos à desvalorização. Negócio da china para os chineses.

Fonte: César Fonseca (Jornal da Comunidade)

Os presidentes do Conselho da Sadia, Luiz Fernando Furlan, e da Perdigão, Nildemar Secches, se reuniram com integrantes do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) na última sexta-feira (22) para apresentar a operação de fusão entre as duas empresas, que criará a gigante BRF (Brasil Foods).

O conselho é uma das autoridades brasileiras responsáveis por julgar os efeitos da transação sobre a livre concorrência. De fato, a BRF nasce como uma das maiores empresas de alimentos do mundo, contando com participação expressiva no mercado brasileiro e internacional.

Levando em consideração os faturamentos de 2008 de Sadia (R$ 10,7 bilhões) e Perdigão (R$ 11,4 bilhões), a BRF teria uma receita de R$ 22,1 bilhões. A nova empresa conta ainda com 119 mil funcionários e 42 fábricas, sendo responsável por quase 25% do mercado exportador global de aves.

De acordo com a Economática, isso garante a décima posição dentre as maiores empresas de alimentos do continente americano. No Brasil, a BRF ocupará lugar de destaque ainda maior, ficando na frente de gigantes como Nestlé Brasil e Unilever Brasil.

Maior que Nestlé ou Unilever

A empresa resultante da fusão entre Sadia e Perdigão tem uma clara vantagem no mix de produtos. Além de carnes congeladas e resfriadas, a BRF atuaria ainda em segmentos de massas, pizzas congeladas e margarinas, contando com a maioria do market share desses setores no Brasil, de acordo com a Santander Corretora.

Se considerados os números do ano passado, o faturamento da BRF ultrapassaria aquele de uma das líderes do setor de alimentos no Brasil, a Nestlé Brasil. A companhia, que atua em doze segmentos, incluindo leites, cafés, achocolatados, refrigerados, sorvetes e nutrição, faturou R$ 13,4 bilhões em 2008.

Outra empresa que seria superada é a Unilever Brasil, que atua não somente no setor de alimentos, mas também em mercados de higiene e beleza. Para se ter uma ideia, em 2008, a receita líquida chegou a R$ 10,3 bilhões, cerca de 53% abaixo do faturamento pró-forma da Brasil Foods.

Perseguindo a JBS

A fusão entre Sadia e Perdigão, porém, não deve fazer com que a nova empresa ocupe o primeiro lugar em termos de receita líquida no setor de alimentos brasileiro. Na frente há ainda a JBS, gigante do setor frigorífico, que apenas em 2008 faturou nada menos do que R$ 30,3 bilhões, quase 40% a mais que a soma das receitas líquidas das duas empresas.

Contudo, uma coisa é a comparação com números do passado, outra é com projeções. Com a estimativa de abertura de seis novas fábricas da Sadia, os executivos esperam que o faturamento da BRF chegue a R$ 30 bilhões, bem próximo dos números da JBS.

Segundo Furlan, “somente a Sadia está entrando com seis fábricas novas, que vão incrementar o faturamento em R$ 4 bilhões. Fora ainda o que vem do outro lado. Seremos um dos três maiores exportadores de alimentos do mundo”.

Efeitos sobre a concorrência

Conforme a legislação, os representantes da Brasil Foods têm até 15 dias para dar às autoridades, incluindo o Cade, o Ministério da Justiça e da Fazenda, a documentação da participação do grupo no mercado brasileiro. Além dos órgãos nacionais de defesa da concorrência, a criação da nova empresa deverá passar pelo crivo de autoridades internacionais.

Fonte: Yahoo

SÃO PAULO, RIO, BRASÍLIA e ISTAMBUL – As famílias que controlam a Sadia fizeram com que fosse incluído no acordo com a Perdigão um compromisso para evitar que sua participação na Brasil Foods (BRF) fique ainda mais diluída após o aumento de capital de R$ 4 bilhões da nova empresa, revela reportagem publicada na edição desta quinta-feira do Globo. O anúncio da aquisição da Sadia pela Perdigão foi feito oficialmente na terça-feira , após publicação do fato revelante.

Foram feitas várias simulações da diluição das fatias dos sócios após o aumento de capital. Na considerada menos provável, as famílias Fontana e Furlan ficaram com cerca de 8% das ações da BRF.

Como a BRF é a nova denominação da Perdigão, por enquanto, só os acionistas desta, com destaque para os grandes fundos de pensão, têm o chamado “direito de prioridade” na reserva dos papéis. As famílias Fontana e Furlan só passariam a ter a vantagem quando a incorporação da Sadia pela Perdigão fosse fechada, o que pode demorar mais que a oferta de ações.

Os advogados que estruturam o aumento de capital vão pedir à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) a extensão desse direito, inclusive aos acionistas minoritários da Sadia, mesmo que o prazo não seja cumprido.

Fundos querem mais controle

Os fundos de pensão querem mais controle. Juntos, Previ (fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil), Petros (Petrobras), Real Grandeza (Furnas), Sistel (Telebrás), Valia (Vale) têm 26,8% da BRF. E as famílias Fontana e Furlan, 12%. Segundo fontes, o ex-ministro Luiz Fernando Furlan, presidente do Conselho de Administração, já teria até separado recursos para aumentar sua fatia.

O presidente da Previ, Sérgio Rosa, disse ao GLOBO que a idéia é comprar ações na oferta pública que será feita no fim de julho em quantidade que permita ao maior fundo de pensão do país manter a fatia que detinha na Perdigão, de cerca de 14%:

A Petros tem 8,5% da BRF, contra 12% na antiga Perdigão. A estratégia será aportar mais capital, como após a compra da Brasil Telecom pela Oi: o fundo investiu mais R$ 460 milhões na compra de papeis da supertele. Já a Real Grandeza, com 0,7% da BRF, quer vender parte dos papéis.

Fonte: O globo

Por se tratar de um caso que vai criar grande concentração em diversos segmentos do mercado de alimentos industrializados, advogados da Sadia e da Perdigão se anteciparam e apresentaram, na semana passada, a estrutura da Brasil Foods para o presidente do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), Arthur Badin, e para a titular da Secretaria de Direito Econômico (SDE), Mariana Tavares. A Brasil Foods (BRF) tem até 9 de junho (15 dias úteis a partir da data de assinatura do contrato) para apresentar o negócio oficialmente para as entidades que fazem parte do Sistema Brasileiro de Defesa da Concorrência: Cade, SDE e Secretaria de Acompanhamento Econômico (Seae).

A partir dessa apresentação, as empresas começarão a negociar um Acordo de Preservação de Reversibilidade de Operação (Apro). O acordo vai estabelecer o grau de integração que poderá ser aplicado enquanto o Cade analisa e julga a operação, processo que deve levar um ano.

Nas negociações para a assinatura do Apro, a BRF pretende mostrar que, apesar de liderar em diferentes categorias do mercado de alimentos industrializados, seus concorrentes não são nada desprezíveis. Grandes multinacionais de alimentos, como Tyson Foods (maior processadora de carnes do mundo e que adquiriu, no ano passado, três avícolas no Sul do País, incluindo a Macedo), Cargill (dona da marca Seara) e Bunge (que atua no mercado de margarinas com a marca Delícia ) operam livremente no País, junto com outros concorrentes nacionais.

O grau e a velocidade da integração das duas empresas nos próximos meses vai depender dos termos do Apro. Ontem, a BRF afirmou que vai contratar uma consultoria externa para ajudar a desenhar um modelo de integração com base em questões “técnicas e não emocionais”, conforme explicou o agora copresidente do Conselho da BRF, Nildemar Secches. A expectativa das duas empresas é que os ganhos com as sinergias podem ser da ordem de R$ 2 bilhões a R$ 4 bilhões.

Além do Cade, a BRF também vai submeter a fusão à aprovação das autoridades de defesa da concorrência na União Europeia, onde as empresas possuem participações de mercado relevante.

De acordo com ex-integrantes do Cade ouvidos pelo Estado, o elevado grau de concentração decorrente da criação da BRF não é um problema que, por si só, levará o Cade a reprovar ou determinar mudanças na operação. “A concentração em si é apenas um indicador de que o Cade terá que analisar com cuidado o negócio, já que há muitas outras condições a serem consideradas”, afirmou o economista Cleaveland Prates, ex-conselheiro do Cade, que julgou a polêmica compra da Garoto pela Nestlé, rejeitada pelo Cade em 2002 por concentrar o mercado de chocolates em quase 60%.

Dentre outras condições, o Cade deve avaliar, segundo Prates, se existe ou não a possibilidade de entrada de novos concorrentes num horizonte de tempo de até dois anos após uma fusão.

 

Fonte: Último Segundo

Logo BRF

Logo BRF

Acaba de nascer a BRF-Brasil Foods, uma das maiores empresas de alimentos do mundo, resultado da união de Sadia e Perdigão. A fusão entre as duas empresas foi anunciada nesta manhã pelo presidente do conselho de administração da Perdigão, Nildemar Secches, e pelo presidente do conselho de administração da Sadia, Luiz Fernando Furlan, em entrevista coletiva realizada na cidade de São Paulo.

A nova empresa já apresenta números impressionantes: faturamento líquido anual de 22 bilhões de reais, 42 fábricas distrubuídas por dez estados brasileiros e escritórios comerciais em dezoito países. A BRF torna-se a maior empregadora do Brasil, com 116 mil funcionários, a maior produtora e exportadora mundial de carnes processadas e a terceira maior exportadora brasileira.

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Logo BRF em camisa do time do corinthias

“Estamos orgulhosos de anunciar a criação desta grande multinacional brasileira, que nasce num setor onde o Brasil é mais competitivo no mercado mundial — o de alimentos processados”, disse Nildemar Secches, na entrevista coletiva. “Sadia e Perdigão sempre tiveram afinidades. Agora temos a convicção de que estamos criando um campeão”, afirmou Luiz Fernando Furlan.

Num primeiro momento, enquanto o processo de unificação da estrutura operacional e de logística estiver em andamento, as duas empresas passarão a coexistir. Cada uma manterá seu próprio conselho administrativo e ambas as marcas permanecerão no mercado. Uma empresa especializada em gestão será contratada para ajudar na transição, que ocorrerá de forma gradual. A gama de produtos oferecidos nos supermercados também continuará inalterada.

Os acionistas da Perdigão passam a controlar 68% das ações da BRF, e os da Sadia, 32%. Juntas, Sadia e Perdigão totalizam hoje 63 mil acionistas. Este grupo será responsável pela tomada de decisões da nova empresa, que terá administração profissionalizada. Os 3 mil produtos alimentícios da BRF serão vendidos em todo o Brasil e em mais de 100 países.

A nova empresa já é a segunda maior indústria alimentícia do Brasil e a décima maior empresa de alimentos das Américas. Tem uma carteira de 150 mil clientes ativos no mercado interno e mais de mil no mercado externo. O objetivo da BRF é ampliar esse número significativamente. As duas empresas que compõem a BRF investiram mais de 8,5 bilhões de reais nos últimos cinco anos e geraram aproximadamente 2,2 bilhões de reais em impostos.

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Nildemar Secches (Perdigão) & Luiz Fernando Furlan (Sadia)

Brasil Foods

 

Sadia e Perdigão

Brasil Foods: Sadia e Perdigão

Brasil Foods    Brasil Foods

A Brasil Foods, empresa resultante da fusão da Sadia com a Perdigão, pretende usar as melhores práticas de comunicação adotadas na criação da InBev e do Itaú/Unibanco.

Do mesmo jeito que o ator Antônio Fagundes anunciou aos brasileiros o surgimento “da maior cervejaria do mundo”, com a fusão entre AmBev e Interbrew, a atriz Marieta Severo foi convocada para mostrar como a nova companhia será mais uma empresa nacional forte no exterior e para evocar o orgulho de ser brasileiro.

Do mesmo jeito que Roberto Setúbal e Pedro Moreira Salles, principais acionistas do Itaú e do Unibanco, dividiram o palco e responderam em conjunto às perguntas sobre o novo banco, Luiz Fernando Furlan e Nildemar Secches, presidentes do conselho de Sadia e Perdigão, o farão sobre a Brasil Foods.

Até mesmo Lequetreque, o frango-mascote da Sadia, foi chamado para abraçar o coração símbolo da Perdigão num dos filmes, mostrando finalmente o enlace ensaiado e ameaçado há anos, que criará a empresa de R$ 22 bilhões de faturamento anual.

Com a estratégia de comunicação montada, filmes gravados e hotel para a conferência de imprensa reservado para as 9h30 de ontem, o anúncio foi adiado “por questão de vírgulas” nas participações acionárias, diz um executivo.

Isso porque a parte mais difícil do acordo é chegar a um consenso sobre a participação dos atuais controladores na nova empresa, que será diluída, mas representará parte de uma companhia maior. Assim, qualquer casa decimal significará muita diferença financeira aos acionistas.

De todo modo, o negócio é dado como certo pelas duas partes e está previsto para ser anunciado na tarde da segunda-feira. Na avaliação dos executivos, todas as oscilações possíveis dos papéis de Sadia e Perdigão, por conta da fusão, já aconteceram desde o anúncio da retomada das negociações, em abril. Assim, não deve haver a preocupação em fazer o anúncio antes ou depois do fechamento do mercado.

Ontem, as ações da Perdigão caíram 1,56%. As da Sadia com direito a voto tiveram baixa de 1,59%, e as sem direito a voto, de 4,53%. Após a fusão ser aprovada pelo Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), a ideia é converter os papéis das duas empresas em ações da Brasil Foods, negociadas no Novo Mercado.

Outra definição é que a sede da nova companhia será em Itajaí (SC). Nem em Videira, onde a Perdigão começou, nem em Concórdia, onde Attilio Fontana fundou a Sadia.

O nome da empresa que surge com a união, Brasil Foods, foi criado por Sadia e Perdigão em 2001. Naquele ano, as duas empresas de alimentos lançaram a BRF International Foods, associação destinada à exportação de frangos para Europa oriental, Ásia, Oriente Médio e África.

Especialistas em marketing estudam agora dois logotipos, como BR Foods e BRF/Brasil Foods- sendo Brasil grafado em português, com “s”.

Uma estratégia já definida é que as empresas irão usar a marca Sadia como avalista dos produtos da empresa. Segundo um executivo, é o mesmo artifício usado pela Nestlé, que adota a marca-mãe como garantia de qualidade. Outro item considerado como benefício na fusão é o uso da eficiência do modelo de gestão da Perdigão na Brasil Foods. A conta é que será unida a eficiência da Perdigão com a tradição da Sadia.

Além disso, não será necessário sequer usar apelos para obter a aprovação da opinião pública, como na criação da AmBev, dizem os especialistas. Enquanto a AmBev nasceu gigante apenas no mercado interno, a Brasil Foods já surge como grande exportadora e apela ao sentimento de orgulho e brasilidade do consumidor.

 

MARIA CRISTINA FRIAS
CRISTIANE BARBIERI
da Folha de S.Paulo

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